O relato completo da expedição entre Moçâmedes e o Iona, com dunas vermelhas e areia até ao horizonte.
Partimos de Moçâmedes ao nascer do sol, com cinco viaturas, depósitos cheios e uma certeza: o deserto do Namibe não perdoa improvisos. À frente, oito dias de travessia entre dunas, planícies de cascalho e o silêncio absoluto do Iona.
O primeiro contacto com a areia
Logo no segundo dia, ainda perto da costa, baixámos as pressões para 1.2 bar e percebemos porque é que esta região é considerada uma das mais técnicas de Angola. A areia muda de textura a cada centena de metros — fina, grossa, compactada pelo vento — e exige leitura constante.
"Aqui não há trilho. Há intuição, mapa e a paciência de quem aprendeu a esperar pela próxima duna."
Equipamento essencial
- Pneus AT ou MT com pressões adaptáveis (1.0 - 1.8 bar)
- Pás, placas de desencalhe e snatch strap
- Reservas de água: 6 L por pessoa por dia
- Comunicação VHF entre todas as viaturas
- GPS offline com cartografia OSM e tracks pré-carregados
Iona — o coração da expedição
Chegar ao Parque Nacional do Iona é entrar noutra dimensão. Welwitschias com mais de mil anos, manadas de oryx ao longe e bivouacs sob um céu que parece pintado. Foi aqui que percebemos porque é que esta travessia muda quem a faz.
Voltámos a Moçâmedes com 1240 km no contador, viaturas inteiras e a sensação de que ainda mal arranhámos a superfície do Namibe.